Eu sempre desconfiei dele. Silencioso toda vida. Sempre muito discreto. Quase nunca recebendo visitas. Bem, não que eu as veja.
Toda vez que o avistava lá em baixo, estava só, escurinho, como que sem vida. Sempre, sempre desconfiei dele, de suas intenções. Havia… Há… Há nele algo que sempre me provocou arrepios. Não sei bem. Acho que é o modo como ele me encara toda vez que passo aqui por cima. É sua atmosfera densa e sinistra me desabando, se abatendo sobre mim e me sufocando.
Eu agora tento não encará-lo. Corto os degraus até a entrada principal, guardo meus pertences, cumprimento um guarda sentado à uma mesa rente ao detector de metais e já os pêlos da minha nuca se arrepiam, antecipando a sensação estranha do encontro com ele.
Dobro uma ilha, esta espécie de balcão que confina funcionários. Sigo pelo grande salão. O sapato fazendo um nhéc-nhéc irritante em contato com o chão. Está perto. Passa a primeira porta de vidro do saguão, chega a segunda. Empurro esta. Agora, nada além de alguns metros me separam dele. Tento não olhar lá para baixo. Tento me livrar dos seus olhos escuros, suas garras ameaçadoras. Nem a beleza do prisma que decora e ilumina a grande rampa de acesso ao salão de livros consegue me fazer esquecer aquele gelo, aquele frio que percorre minha espinha.
Sempre me pergunto se não é so implicância minha, se alguém, talvez se sente como eu. O frio, o frio de um olhar gelado, calado, mergulhado numa agonia. Não quero mais vê-lo. Nunca mais olharei em sua direção. Por que ele tem que estar tão perto?
Eu sempre desconfiei dele e, afinal, estava com razão. Quase nunca me aproximava dele depois do escurecer, mas naquela noite foi diferente. Não! Ainda não queria vê-lo, mas precisava passar por ele. Naquela noite ele se mostrou como de fato é.
Refiz o caminho que faço sempre que passo perto dele. Cortei os degraus, guardei meus pertences. Depois, olá ao guarda, dobra a ilha. Primeira, segunda porta de vidro. Empurrei. Ia subindo pela rampa, tentando ignorá-lo. Não resisti. O que tem de tão atraente nele? Não sei. O fato é que não aguentei e olhei prá lá. Lá em baixo… E vi! Vi um brilho. Foi a primeira vez que experimentei um misto de curiosidade e medo.
Nem pensei. Dei meia volta, puxei a porta de vidro. Desfiz os passos dados no salão e abri a primeria porta de vidro. Agora parecia que minhas pernas tinham corrido antes de mim. Eu nem as sentia. Parecia flutuar sobre nova rampa. Dessa vez uma rampa que me levava para ele, lá… lá no final.
Fui pelo escuro mesmo. Nem sequer me atrevia a acender a luz. Os passos ecoaram e o nhéc-nhéc do sapato não me parecia mais tão irritante. Era minha única companhia e distração. Ao fim da rampa, encontrei o tão objeto brilhante. Nada mais era do que uma moeda, refletindo a luz da lua que despontava por entre as nuvens do céu e fazia passar pelo prisma seu brilho fantasmagórico. Ri de mim por um segundo, até escutar um barulho.
Mais rápido do que meu cérebro foi capaz de processar, corri rampa acima. Empurrei a porta de vidro, mas ela não se abriu. Empurrei novamente e nada. Ninguém me via! Passavam todos apressados, ocupados ou pensativos. Ninguém atentava para o meu pedido de socorro. Tentei mais uns solavancos até me desequilibrar e ir ao chão, quase aos prantos.
Ouvi várias risadas, vindo de não sei onde, não sei como. Levantei e numa ação no estilo ‘agora ou nunca’, empurrei com toda a força. Nada! Parei por um momento, passei a mão no cabelo e baixei os olhos me julgando a mais perfeita idiota. Eu sempre desconfiei dele. Quando finalmente ergo o semblante, dou de cara com um adesivo colado à porta. “Puxe”, dizia ele!
Meio desconcertada, estiquei o braço e puxei. Não foi preciso muito esforço para a porta escorregar em minha direção. Eu passei por ela o mais rápido possível. Parei um minuto, virei-me e o vi rindo.
Eu sempre desconfiei que o subsolo dessa biblioteca fosse assombrado! Nunca mais ele me pega!
( Biblioteca Central do Gragoatá – UFF)
Noooooossaaa! Suspense total!
Muito bom o texto, menina!
Gostei mesmo!
Virei sempre aqui!
Beijinho
F-A-N-T-Á-S-T-I-C-O
Suspense mt bom. Prende a leitura. Queremos saber como termina o mais rápido possível. Mas precisamos de mais atenção ao mesmo tempo. Capacidade descritiva sem comentários. Muit bom mesmo
Adorei!
se quiser passar no meu blog
http://felipepensador.blogspot.com/
Adorei…vc empurrando a porta, empurrando….kkkkkkkkk……. e a final de contas era pra fora em sua direção que abria……huihihii….muito boa a historia, será q continua
http://www.sonacachaca.com
Caraca… rrsrsr
E bota suspense nisso!!
Adorei …. abç..
N-O-S-S-A!
Muito bom,ah mas que suspense!Quase morro..rsrs
Adorei,mesmo.
adoreiiiiiiiiii…. o supense , e depois o descobrimento de que não é bem isso e depois de quem é bem isso!!!
otimo texto….
adoreiiiiiiiiii…. o supense , e depois o descobrimento de que não é bem isso e depois de que é bem isso!!!
otimo texto….
Que imaginação hein…
Deve ser mau assombrada mesmo!!!
Oh, mas que fantasmagórico.
Depois de um relato desses, ninguém mais irá no subsolo da biblioteca…
All3X
Era um subsolo! xD
Cara, passei o texto todo tentando adivinhar o que era, quem era! Deve ser algum cara estranho. Não, deve ser um animal esquisito. Não, um ex-namorado. Não, um…
Eu li me segurando pra não correr até o final, o final deveria dizer quem, afinal, era. Não acredito que me aguentei!
Nossa, que tenso!
Adoooorei!!
Adoro suspense!! muito massa o texto.
Muito bom!Fiquei só imaginando quem seria ‘ele’,adorei teus textos.
Nossa adorei o textoooo!
Primeiro, porque tá super bem escrito, maior mistério e em sugundo, porque a partir de Agosto vou poder conhcer esse subsolo, eu vou estudar história na UFF, no campus do Gragoatá! Coincidência, né?!
Adorei seu comentário no idéias, continue visitando