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Estou super feliz!

Acordei hoje e vi que uma equipe da prefeitura plantava umas árvores! Pensei logo que se não tratassem de matá-las em alguns anos estariam enormes. Também notei que trocaram os paralelepípedos (nome complicado, sô) por paralelepípedos (de novo!) novos e branquinhos e cimentaram a calçada, que agora faria mesmo jus ao nome.
Não! Eu estou mesmo super, super feliz!

Os postes foram pintados até o meio num tom de verde que… Não sei! Só consultando mesmo um decorador para saber o nome daquilo! Seria verde-limão? Pode ser!

Ah, não posso esquecer que estão arrumando também a calçada do Extra, supermercados. Não! Não toda ela. A parte que dá para a rua principal. Aquela que fica de frente para o viaduto. Viaduto sob o qual fica o mais recente reformado terminal de ônibus! Tiraram o cimentado e colocaram pedrinhas portuguesas, uns bancos novos com cobertura. Aliás, não entendi a cobertura de bancos que ficam sob um viaduto. Bem, deixa prá lá. O que importa é que pintaram as pilastras de vermelho.

Falando do viaduto, cruzando ele a gente sai lá na Yolanda Saad Abuzaid. Ali, tiraram as pedrinhas portuguesas e colocaram uma espécie de tijolinhos. Tem dos vermelhos, dos amarelos e dos de cor cinza! O úncio probleminha é que esse calçamento está em nível pouco acima do das lojas e limpeza urbana não é exatamente o forte da minha cidade de modo que, estive pensando, nos dias de chuva forte pode acontecer um probleminha já que os bueiros vão estar entupidos.

Fico mais contente mesmo é de saber que a reforma do município não acontece só no meu bairro. Em uma avenida próxima, fizeram uns canteiros bonitos! Colocaram até umas pedras. Acho só que o fato de serem bem pontiagudas pode trazer algum inconveniente caso alguém se acidente por ali. Aliás, parece que lascaram as pedras!

Não, mas isso não é tudo! Pintaram a escadaria da igreja matriz… de vermelho! Achei a cor pertinente… Igreja, vermelho! Fico mesmo espantada coma capacidade de produção da prefeitura em ano de eleição!!!

O meu Papel

“E sentiu embriagar-se por aquele líquido envolvente, frio. Abraçou-o e amou aquele momento. Derradeiro momento.

Fim”

Depois, pousou o lápis sobre a folha do caderno e foi até o quarto. Despiu-se e se observou ao espelho. Não era nada! Não era feia, não era bonita. Era invisível ou se escondia atrás das páginas do seu livro. Não era nova, nem velha. Era só a ausência de um traço, de uma marca, de um cheiro, de um toque.

Então, colocou a roupa que melhor lhe cabia. Não por ser bonita, estar na moda, mas porque nela se sentia abrigada. Um jeans e uma camiseta branca para ir ter com a rua. Porém, não antes de recolher seus papéis na mesa da sala e depositar o lápis cuidadosamente dentro de um copo repleto de outros lápis.

Levou os olhos ao céu, mesmo com a chuva grossa que caía. Andava sem pressa, esbarrando nas pessoas, sem pedir desculpas ou licença para passar. Quando achou a caixa dos correios, jogou ali um envelope endereçado à editora. Fez tudo isso mecanicamente e seguindo sempre em frente, até sair na rua principal. A rua que abria caminho para o mar.

Chegou às areias lembrando as noites de prêmios, dos elogios rasgados, de um ‘a melhor romancista romântica dos últimos tempos’. Lembrou de tudo isso sem perder os passos, sem titubear. Andando e deixando-se molhar pela chuva. Andando e deixando-se molhar pelas ondas do mar que lambiam seus pés, suas pernas, a cintura, os seis, os ombros quase macios.

Sentiu embriagar-se por aquele líquido envolvente, frio. Abraçou-o e amou aquele momento. Derradeiro momento.

 

Hotel Comunidade

Parte de um conto

Erich Johanson, 55 anos, Califórnia. Acabou de perder o emprego e decidiu dar a si mesmo sua tão merecida e sonhada férias no Brasil. Resolveu, então, procurar infromações sobre hotéis pela internet. Depois de repensar sua condição financeira, apurou a busca e foi atrás só de hotéis três estrelas, pensões e chegou, enfim, a um site que lhe satisfazia a procura.

Na segunda página havia um anúncio discreto, mas que ainda assim foi capaz de lhe chamar atenção. Com dificuldades, leu o nome do hotel. Depois, isto sim já em inglês, o anúncio falava sobre o local e o que de melhor tinha por perto. Muito contente com a descoberta, pegou o número do telefone e ligou:

- Agência Bom Lazer, bom dia – disse uma voz feminia em tom amuado.
- Erm… I’m… Do you speak english? – perguntou Erich.
- Yes, I do. Can I help you ? – dessa vez a voz pareceu um pouquinho, mas só um pouquinho mais interessada.
- I’m going to Brazil and I’d like to stay at Comun… Comuni… Cómunidadji Hotel.

Um minuto de silêncio do outro lado da linha. Erich ficou preocupado, mas se ele estivesse vendo a movimentação a quilômetros de distância teria percebido que a atendente não tinha morrido.

- Hello? Hello? – dizia o homem.

Eis que, assim como ficou muda, a mulher voltou a falar… e com uma simpatia ofertada pelos deuses.

- Mr. …
- Johanson. – ele complementou.
- Mr. Johanson. What a pleasure!

Então sucedeu que a operadora de viagem desatou a falar sobre o hotel. Disse que era algo inovador, despojado, feito para homens e mulheres que gostam de viver a vida plenamente, que gostam da aventura. Erich repensou sua vida chata de escritório e viu como aquela hospedagem tinha vindo mesmo a calhar.

Logo que pisou em terras brasileiras, foi procurar o motorista que estava encarregado do seu transporte. No salão, vários motoristas estendiam plaquinhas com os nomes de seus cliente. Ele foi procurar o dele. Primeiro, um sujeito alto, vestido em paletó preto, gravata vermelha, quepe e um pequeno broche com o nome do hotel. Segurava uma placa que dizia: Mr. Brooks. Não era aquele. Depois, um baixinho, gordinho e careca de meia idade, enfiado em um terno azul marinho segurava uma placa com um nome para lá de estranho. Continuou procurando quando seu olhos encontraram uma placa com seu nome… ou coisa do gênero. Seguiu a mão que a segurava e chegou em um rapaz moreno, magrelo, perdido dentro de uma camisa que mais parecia um abadá do Babado Novo e calças cáqui. Pensou no despojado.

O rapaz ao perceber que era aquele o gringo esperado, sinalizou e foi em frente. Erich saiu correndo atrás dele, esbarrando com suas malas em outras pessoas. Chegou à saída do aeroporto e lá estava o rapaz, encostado em uma moto, com cara de tédio. Ao ver a expressão nos olhos de Erich o garoto logo se defendeu.

- Oh, meu tio. Precisa ter medo não. Sou fera… e essa mala, dá sim. Quer ver?

Puxou a mala das mãos de um estupefato Erich e começou a enrolar ela com um elástico. Se certificou que estava bem segura na parte mais extrema da moto, subiu, ligou o motor e… teve que olhar para Erich com aquela cara de ‘dá prá subir logo’.

A viagem foi emocionante. Cortavam carros, furavam o sinal vermelho enquanto Erich tentava se manter colado na moto. Passaram por dois minutos na orla. Mais tarde, conforme subiam a rua, o piloto foi diminuindo a velocidade até parar na frente do Comunidade Hotel.

Ao entrar no lobby do hotel, reparou em seus detalhes: uma sala ampla, circundada por um mesanino onde várias portas eram vistas. Foi até a recepção.

- De vauchi!

Erich não entendeu nada e ficou olhando com a cara indagadora.

- Mermão, o vauchi. – Disse o negro apontando para o papelucho na mão de Erich.
- Ah! – e estendeu o papel ao recepcionista.

Depois de conferir o papel, o recepcionista sorriu para o hóspede.

- Óquei!
- Erm… the room service? – Erich perguntou duvidando que o outro fosse entender.
- De o que? De rum service? Rum… Ruim?! Não! Que isso meu camarada – dizia enquanto dava a volta pelo balcão e passava um braço pelo ombro de Erich – ! Te garanto que o serviço aqui é de primeira. Fãrsti Cualiti! Inclusive, se o senhor quisé, aparece ali em cima – e apontou para o mesanino – e grita ‘Tonhão’ que a gente vê o que o senhor quer, leva no quarto e tal… E, veja só. Tá na suíte. Gostosão!

Então, chapou a chave na mão de Erich e deu um tremendo assovio.

- Ô, braquelo! Vem pegar aqui as malas do cliente – disse já se virando novamente para Erich. A porta tá com um probleminha, lito problém, mas é só o senhor empurrar. Pur de dór. Pur...

Definitivamente aquele era o hotel mais estranho em que Erich se metera. Foi para o seu quarto, estava afim mesmo era de descansar das horas de viagem. Chegando lá, viu uma cama de casal, a seu lado uma mesinha com um abajour e uma gavetinha repleta de camisinhas e anúncios do tipo ‘club 510′ e uma cômoda onde guardou as coisas.

A noite passou e o dia veio. Erich acordou ao som de carros passando, gente falando alto… Foi ao banheiro, um cômodo que deveria medir uns dois metros quadros e meio, ornado com um vaso sanitário branco, com uma caixa d’água daquelas externas, uma pia branca com uma torneira de plástico. Lembrou-se que veio em busca de aventura… e que lugar inóspito e aventureiro era aquele!

Estava descendo as escadas quando Tonhão anunciou o cófi breiqui. Erich entedeu perfeitamente, mais por conta do estado em que estava seu estômago. Era café preto, pão na chapa com manteiga. Tinha presunto, queijo minas, bolo de fubá, biscoito recheado, banana, melancia e danoninho. Optou por um café, só.

Tonhão logo apareceu.

- É gringo, tem só você aqui no nosso cafofo… Hotel. Então o tur citi vai ser só nosso. De tchu ov ãs… iu e ai.

Foram, então, à Copacabana e viram o mar. Mas, por sugestão de Tonhão, foram pegar uma praia em Niterói. Foi em Itaipú que Tonhão fez Erich se empanturrar de camarão no palitinho, sanduíche natural e queijo quente. Estavam contentes até. Era uma boa maneira de ver o Rio que ficava lá do outro lado.

No final do dia, completamente bêbados, Tonhão e Erich já se entendiam como se fossem, respectivamente, as versões contemporâneas de Shakespeare e Camões. Riam até de piadas que não entendiam.

- E ai a velha disse para o velho: é a camisola do amor.

Hahahaha por parte de Tonhão. Hahahaha por parte de Erich.

Uma usuária do site de relacionamentos Orkut, pertencente à Google, ganhou na Justiça do Rio de Janeiro uma indenização de R$ 10 mil por danos morais em ação contra a empresa.

A decisão foi tomada na 6ª Câmara Cível, segundo a assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. A autora da ação teve seu nome citado na comunidade “Na boca do povo – TR”, em tópico que trata de prostituição em Três Rios, Região Serrana do Rio. Um participante anônimo dizia, entre outras ofensas, que a usuária se prostituía para pagar a faculdade.

A Google alegou que o usuário, autor do perfil de sua página do Orkut, é quem controla a informação inserida no site e que seria impossível fazer o monitoramento e bloqueio prévio de todo o conteúdo. A empresa apontou ainda que não há legislação que obrigue os provedores a exercer o controle do conteúdo inserido na internet.

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Sinceramente, acho que as pessoas, ao decidirem por fazer parte do Orkut, estão se expondo conscientemente.

Já vi cada barraco em comunidades do Orkut. Imagina se a empresa tiver que se responsabilizar por cada caso desses! Daqui a pouco todo mundo vai querer seus 10 mil!

Foi Por Pouco

Eu sempre desconfiei dele. Silencioso toda vida. Sempre muito discreto. Quase nunca recebendo visitas. Bem, não que eu as veja.

Toda vez que o avistava lá em baixo, estava só, escurinho, como que sem vida. Sempre, sempre desconfiei dele, de suas intenções. Havia… Há… Há nele algo que sempre me provocou arrepios. Não sei bem. Acho que é o modo como ele me encara toda vez que passo aqui por cima. É sua atmosfera densa e sinistra me desabando, se abatendo sobre mim e me sufocando.

Eu agora tento não encará-lo. Corto os degraus até a entrada principal, guardo meus pertences, cumprimento um guarda sentado à uma mesa rente ao detector de metais e já os pêlos da minha nuca se arrepiam, antecipando a sensação estranha do encontro com ele.

Dobro uma ilha, esta espécie de balcão que confina funcionários. Sigo pelo grande salão. O sapato fazendo um nhéc-nhéc irritante em contato com o chão. Está perto. Passa a primeira porta de vidro do saguão, chega a segunda. Empurro esta. Agora, nada além de alguns metros me separam dele. Tento não olhar lá para baixo. Tento me livrar dos seus olhos escuros, suas garras ameaçadoras. Nem a beleza do prisma que decora e ilumina a grande rampa de acesso ao salão de livros consegue me fazer esquecer aquele gelo, aquele frio que percorre minha espinha.

Sempre me pergunto se não é so implicância minha, se alguém, talvez se sente como eu. O frio, o frio de um olhar gelado, calado, mergulhado numa agonia. Não quero mais vê-lo. Nunca mais olharei em sua direção. Por que ele tem que estar tão perto?

Eu sempre desconfiei dele e, afinal, estava com razão. Quase nunca me aproximava dele depois do escurecer, mas naquela noite foi diferente. Não! Ainda não queria vê-lo, mas precisava passar por ele. Naquela noite ele se mostrou como de fato é.

Refiz o caminho que faço sempre que passo perto dele. Cortei os degraus, guardei meus pertences. Depois, olá ao guarda, dobra a ilha. Primeira, segunda porta de vidro. Empurrei. Ia subindo pela rampa, tentando ignorá-lo. Não resisti. O que tem de tão atraente nele? Não sei. O fato é que não aguentei e olhei prá lá. Lá em baixo… E vi! Vi um brilho. Foi a primeira vez que experimentei um misto de curiosidade e medo.

Nem pensei. Dei meia volta, puxei a porta de vidro. Desfiz os passos dados no salão e abri a primeria porta de vidro. Agora parecia que minhas pernas tinham corrido antes de mim. Eu nem as sentia. Parecia flutuar sobre nova rampa. Dessa vez uma rampa que me levava para ele, lá… lá no final.

Fui pelo escuro mesmo. Nem sequer me atrevia a acender a luz. Os passos ecoaram e o nhéc-nhéc do sapato não me parecia mais tão irritante. Era minha única companhia e distração. Ao fim da rampa, encontrei o tão objeto brilhante. Nada mais era do que uma moeda, refletindo a luz da lua que despontava por entre as nuvens do céu e fazia passar pelo prisma seu brilho fantasmagórico. Ri de mim por um segundo, até escutar um barulho.

Mais rápido do que meu cérebro foi capaz de processar, corri rampa acima. Empurrei a porta de vidro, mas ela não se abriu. Empurrei novamente e nada. Ninguém me via! Passavam todos apressados, ocupados ou pensativos. Ninguém atentava para o meu pedido de socorro. Tentei mais uns solavancos até me desequilibrar e ir ao chão, quase aos prantos.

Ouvi várias risadas, vindo de não sei onde, não sei como. Levantei e numa ação no estilo ‘agora ou nunca’, empurrei com toda a força. Nada! Parei por um momento, passei a mão no cabelo e baixei os olhos me julgando a mais perfeita idiota. Eu sempre desconfiei dele. Quando finalmente ergo o semblante, dou de cara com um adesivo colado à porta. “Puxe”, dizia ele!

Meio desconcertada, estiquei o braço e puxei. Não foi preciso muito esforço para a porta escorregar em minha direção. Eu passei por ela o mais rápido possível. Parei um minuto, virei-me e o vi rindo.

Eu sempre desconfiei que o subsolo dessa biblioteca fosse assombrado! Nunca mais ele me pega!

( Biblioteca Central do Gragoatá – UFF)

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